Terça-feira, 29 de Maio de 2012

O QUE ALMADA PODE REVELAR

LOST IN THE TREES por Zito Colaço

Toda a criação é feita em três actos. O psicodrama individual de potência, movimento e expansão é um espelho reluzente das leis universais da tríade cósmica. Zeus, Athena e Hera. Deus, Pai e Espírito Santo. Brahman, Vishnu e Shiva. Uma lógica poeticamente matemática expressa também nos três corpos de Buda: o espaço infinito do Dharmakaya, o campo mental de formas puras do Shambogakaya e a materialização dos elementos terra, ar, água e fogo no Nirmanakaya. E foi a lógica do três, ou do terceiro incluído, se evocarmos também a perspectiva holística e transdisciplinar, que une partícula, onda, céu, terra e ser humano e senta à mesma mesa o cientista, o poeta e o místico, que inspirou o acto de criação de Zito Colaço, dando à luz a exposição Lost in The Trees.

Para dar início à sua obra, o fotógrafo também teve de passar por três estágios de ascensão. E para que estes três níveis se harmonizem são sempre inevitáveis a morte e o renascimento. O perder-se para encontrar-se de Florbela Espanca. Porque Kaos e Ordem sustentam o jogo de sombras da existência até que a visão luminosa e unificadora do Três se manifeste em toda a sua plenitude. Por isso, não é de estranhar que o Zito tenha percorrido o seu labirinto interior, túnel de luz e treva, até que a exposição pudesse nascer com a força de todas as explosões criativas, do Big-Bang à formação de estrelas e planetas, do hominídeo ao homo sapiens, dos primitivos tambores tribais às sonatas de Mozart. Três momentos, três notas rítmicas que fizeram ecoar a melodia de Lost in The Trees. Primeiro, perdeu-se quando numa hora de intervalo em pleno exercício da sua profissão, ou seja fotografar por encomenda sob ordens diárias e rotineiras de várias redacções e produtos similares de media, a sua objectiva avariou. O olhar sobre o mundo, profissional e pessoal, do Zito acabara de desfocar-se. Desfoque que, em vez de ser um contratempo, converteu-se na possibilidade de focar a realidade a partir de um outro ponto de observação. E o novo enfoque deu-se justamente durante essa penosa mas necessária hora de sofrimento e recriação, em que o fotógrafo, para jogar ao jogo de fazer tempo até ao novo telefonema profissional, descobre Sophia de Mello Breyner e abre uma nova página no seu novo manual de focagem: "A árvore antiga/Que cantou na brisa/Tornou-se cantiga”. A história de uma árvore tão gigantesca quanto milenar que, apesar de ser cultuada e respeitada pelos habitantes de uma pequena ilha, impedia os raios de Sol de entrar na comunidade e condicionava o modo de vida dos autóctones, acabando por ser sacrificada, para que novas árvores, folhas e frutos florescessem e partissem rumo fora na madeira de um barco que se tornara sagrado. A árvore renascia em novas formas de vida. E este renascimento o Zito pressente-o quando vê pela primeira vez que o desfoque podia ser nada mais do que um outro enfoque. Um ângulo cinestésico que oferece ao Zito o seu segundo processo de focagem. A sua objectiva havia acabado de renascer. E o Zito também.
Focado numa visão mais ampla, à medida do desfoque técnico da academia, reaprendeu a olhar o essencial do mundo. A nossa passagem pelo Planeta como uma casa, uma morada, um palácio que deve ser tratado com respeito. Um palácio de árvores centenárias, bosques verdejantes e luz cristalina e dourada, que respira ao ritmo do Sol e do Mar. Mata do Medos, ou dunas, como se falava antigamente, por onde as vagas do ar e da água brincam com a terra, o elemento feminino, a contraparte do um, o dois, para chegar ao três. A esta união se chama na Tradição o Amor. E foi preciso o Zito perder o foco dos condicionamentos sócio-culturais e psicológicos bem como dos preconceitos dos juízos de cátedra e diploma na mão, mas que nunca buscam a arte, a paixão e o risco, condimentos essenciais do amor, para focar o Mundo “tal qual” ele é, o que lhe permitiu aproximar a lente da realidade “tal qual é”, expressão budista e vedantina da visão não-dual, igualmente constante da Presença crística, judaica ou islâmica, que é o nossa meta-percurso primordial, expansivo e eterno…

E esse regresso primordial ao feminino da Mãe-Terra, ao Amor de Gaia, ao fogo da paixão que germina no silêncio contemplativo, ou pelo menos numa etapa dele, o Zito aprimorou ainda mais o olhar para focar ainda melhor o essencial do mundo, etapa iniciática de sentido ascendente consubstanciada na redenção, no aconchego, no colo das árvores que ouvem, observam e falam. E neste terceiro estágio em que as árvores são árvores mas são também seres que sentem “tudo de todas as maneiras” (pedindo emprestado o sentir pessoano), o Zito contemplou o jogo terreno, o teatro da vida onde observador e observado se confundem, fotografando aqueles momentos em que as árvores são. E são simplesmente porque “entre a árvore e vê-la onde está o sonho”. E o sonho do Zito chama-se fotografar todas as florestas e bosques do Mundo. Prosseguindo no sonho mas em estado de vigília. Porque Lost in The Trees é um sonho acordado que nos convida a despertar.

Lost in The Trees by Zito Colaço 
Texto: Nuno Costa

O QUE ALMADA NÃO QUER REVELAR

Terras da Costa de Caparica, Eugénio Sequeira

Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica e Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos.

Em Portugal existem e residem (em 2011 – Census 2011) 10.555.853 habitantes, em 4.980.003 famílias, com 2,1 pessoas por família, residindo em 5.879.845 alojamentos, isto é, com mais de 1,4 alojamentos por família, admitindo que existe em cada alojamento apenas uma família e que não há famílias com mais de uma geração no mesmo alojamento.
Assim em Portugal existe um excesso de mais de 1,8 milhões de habitações, que dariam para alojar mais 3,6 milhões de habitantes, admitindo 2 habitantes por família e um alojamento por família.
Na década de 2001 a 2011 a população residente aumentou menos de 2%, na maioria por imigrantes, enquanto os alojamentos aumentaram mais de 16%, isto é a um ritmo quase 10 vezes superior.
Na região de Lisboa moram 2.815.851, tendo crescido a uma taxa de cerda de 6%, três vezes a média nacional. No entanto mesmo nesta região o crescimento dos alojamentos foi de mais de 14%, havendo um excesso de 330.023 alojamentos em relação ao número de famílias. É verdade que na península de Setúbal, dentro da região de Lisboa o crescimento populacional foi de quase 9%, mas os alojamentos, também cresceram a um ritmo alucinante de cerca de 15%.
Em Almada embora o crescimento da famílias ( certamente por emigração) tenha ultrapassado o crescimento de alojamentos ,o número de alojamentos excede ainda em quase 29.383 o número de famílias.
Assim, num país em que a qualidade do recurso em “terra” é diminuta, pois apenas cerca de 4,5% da sua área apresenta solos competitivos para a produção agrícola, e muito menos que estes são “terras” de elevada capacidade produtiva para a produção de frescos a salvaguarda deste recurso é uma obrigação e desígnio nacional.
Deve ser referido que “terra” é o sistema bio- produtivo terrestre que compreende o “solo”, a vegetação, outros componentes do “biota” e os processos ecológicos e hidrológicos que se desenvolvem nesse sistema.

Terras da Costa
As chamadas “Terras da Costa” a área compreendida entre a “Falésia Fóssil da Caparica” e a duna ocupada pela povoação da Praia da Caparica, corresponde a uma zona que estaria compreendida entre a duna primária e a duna secundária, zona húmida, de aluvião e coluvião, plana, com “Fluvissolos de textura ligeira” (areno-limosos), de pH neutro ou ligeiramente alcalino (entre 7 e 8), ricos em matéria orgânica, com areia calcária, de elevadíssima fertilidade.
Inserida no Ribatejo Oeste, zona da maior produtividade da terra e do trabalho agrícola de Portugal (quadro I), que se aproxima da produtividade média europeia (cerca de 80% ) é uma das zonas de maior fertilidade e portanto produtividade do Ribatejo Oeste
Quadro I- Superfície Agrícola por exploração, Produtividade da “terra”, Produtividade do homem, percentagem da margem bruta Agrícola Nacional, e percentagem da Superfície Agrícola Útil Nacional, por Região (Anónimo, 2001- Portugal 2000- Panorama Agricultura. GPPAA, Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas).
Região Superficie (ha) Agrícola /Exploração Produtividade da Terra
€/ha Produtividade do homem
€/UTA % da Margem Brutra Agrícola Nacional % da Superfícia Agrícola Útil Nacional
Entre Douro e Minho 3,2 2.233 3.902 16 6
Beira Litoral 2,1 1.941 3.055 11 5
Trás-os-Montes 6,5 764 4.217 12 12
Beira Interior 8,7 477 4.000 7 11
Ribatejo Oeste 7,3 2.235 12.697 32 12
Alentejo 53,6 260 11.111 16 51
Algarve 5,4 1505 9.118 5 3
Portugal Continental 9,8 798 5.948 100 100
Da sua situação, perto do mar, abrigado pela duna e povoação, pela Falésia, apresenta um micro - clima único, temperado e húmido, sem geada, que permite obter 4 culturas anuais de elevada produção. Permite mesmo obter boas produções, sem forçagem (sem estufas) na época do Natal.
A obtenção de mais de 60 toneladas de batata por hectare não será difícil, mesmo sem o apoio técnico dos Serviços do Estado, como verifiquei “in loco”. Constitui, assim, uma das zonas mais produtivas de Portugal e da Europa.
Numa zona perto dos centros de consumo, em que a obtenção de frescos de alta qualidade, base do abastecimento de Lisboa, da oferta de alimentos de elevada qualidade, do desenvolvimento de um turismo sustentável e de qualidade, é incompreensível, mesmo criminosa a destruição deste recurso, perecível, não renovável e escasso.
A salvaguarda destes solos está em debate em toda a Europa (UE, 2001, 2002, 2006) estando em debate uma Directiva Quadro (UE 2002 e 2006), mesmo em zonas urbanas, em pequenas manchas (Backer, 2000), e em Portugal está em revisão a Lei dos solos.
Trata-se de “Agricultura Urbana” na definição de Mougeot (1999) “uma actividade localizada dentro (intra-urbana) ou na franja (peri-urbana) de uma cidade, um centro urbano ou metrópole, que produz ou cultiva, processa e distribui uma diversidade de comida e produtos não alimentares, utilizando para isso recursos humanos, recursos materiais, produtos e serviços que se encontram no interior ou em redor daquela área urbana”.
Esta agricultura corresponde a cerca de 15% de toda a produção mundial de alimentos (FAO 1998, Bakker et al. 2000, Sousa, 2004).,e mesmo na UE 30% da agricultura é feita por agricultores a tempo parcial.
A importância destas zonas é reconhecida e existe no que Gonçalo Ribeiro Telles chamava o Termo de Lisboa, que era uma sucessão de quintas em anel envolvente (Carapinha 2000), que aliavam ao recreio o uso lúdico … e que mantinham a produção de frescos e fruta em hortas e pomares.
Este conceito tem expressão legal consagrado na Lei de Bases do Ambiente (Lei nº 11/87 de 7 de Abril, com o conceito de “continuum naturale”, definido como sendo “ …. o sistema continuo de ocorrências naturais que constituem o suporte de vida silvestre e da manutenção do potencial genético e que contribui para o equilíbrio e estabilidade do Território” (Magalhães , 2001).
O Parecer da Direcção dos Serviços de Agricultura e Pescas do MADRP, sobre este assunto informa: “Os primeiros 4 km do traçado desenvolvem-se em solos de Reserva Agrícola Nacional ( RAN), numa área de horticultura de grande importância económica, designada por “Terras da Costa”. As Terras da Costa, com uma área de cerca de 190 ha , apresentam condições edafo - climáticas muito favoráveis à horticultura. Por outro lado, o carácter empresarial das explorações agrícolas imprime uma exploração intensiva, atingindo 3 a 4 culturas por ano, sendo o seu escoamento assegurado no mercado de Lisboa….
São solos sem limitações de elevada capacidade produtiva, que constituem a segurança para o abastecimento da área metropolitana, em hortícolas e frescos de qualidade, tal como acontece há mais de um século.
Ao interesse estritamente agrícola acresce o valor paisagístico e a contribuição para a conservação de biótopos como é referido no Plano de Ordenamento da paisagem protegida, … e a nível nacional em contributos para a Identificação e Caracterização da Paisagem em Portugal (DGOTDU, 2004)”
Mais uma vez, não se entende como é possível por em risco tal património insubstituível para desenvolver o projecto rodoviário da E. R. 377-2 – Costa da Caparica / Nova Vaga /IC32, como se esta rodovia fosse de imprescindível interesse Nacional, como se não existisse outra alternativa.
Será bom ordenamento, será sustentável a decisão de levar para a frente o Projecto Rodoviário da E. R. 377-2 – Costa da Caparica/ Nova Vaga /IC32, com destruição da RAN, de solos de elevado potencial de produção de frescos de grande valor económico e social?
Com isso, promover a continuação do crescimento urbano em solos de alta qualidade ao revês da Estratégia Europeia de protecção do solo?
Num Concelho com alojamentos vagos, numa zona turística, num território de tanta importância para o abastecimento de alimentação de boa qualidade qual o sentido desta destruição irreversível?

Mas não são só as Terras da Costa! E o Pinhal dos Medos

Será bom ordenamento, será sustentável a decisão de levar para a frente o Projecto Rodoviário da E. R. 377-2 – Costa da Caparica/ Nova Vaga /IC32, com destruição da REN a destruição de parte da Área Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, onde se encontra a “Mata dos Medos”?
Cito o ICNB “as áreas da REN interceptadas apresentam um elevado valor ecológico. As zonas da REN que irão apresentar impactes mais significativos são as zonas mais sensíveis correspondentes à Área Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, onde se encontra a “Mata dos Medos”
E ainda: “O efeito Barreira ocorrerá em todas as soluções tendo em conta as características da estrada e a sua vedação”
O Corte da mata vai aumentar as áreas urbanizáveis mesmo contra os condicionamentos à edificação do próprio PDM ( Espaços Culturais e Naturais) artº 117 condicionamentos
Segundo o ICNB tal “Provocará impactes negativos significativos e não minimizáveis na Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos, devido à ocupação de uma área importante, com destruição de manchas de habitats naturais prioritários da Directiva Habitats (*2250-Dunas Litorais com Juniperus spp; *2270 – Dunas com Florestas de Pinus pinus e Pinus Pinaster) e fragmentação de habitats.;
De facto: “Duas pequenas áreas da Mata serão isoladas do restante, perdendo o seu valor actual, no contexto da Mata Nacional”. (pag. 5).
Tal impacto irreversível será minimizável????
Incluída numa área de Paisagem Protegida desde 1984 (classificada pelo Decreto-Lei nº 168/84, de 22 de Maio), a Arriba Fóssil desenvolve-se quase paralelamente à linha de costa, de Norte para Sul, entre a povoação da Costa de Caparica (concelho de Almada) e a Lagoa de Albufeira (concelho de Sesimbra). Vencendo um desnível de cerca de 70 metros, a arriba é constituída por uma sucessão de diferentes camadas sedimentares, que incluem organismos fósseis quer marinhos quer lagunares, invertebrados e vertebrados, resultado das alterações ambientais ocorridas ao longo de milhares de anos .
A Área de Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica, como o seu nome indica, é uma zona protegida, onde a captura de animais e a recolha de plantas e de fósseis é proibida, sob pena de aplicação de sanções. Junto a esta área situam-se a Mata dos Medos e o Pinhal da Aroeira, povoados por pinheiro manso com Sabina-das-areias e Aroeira.
E as Áreas Protegidas
A área litoral nacional possui elevada riqueza florística, resultando da convergência de espécies de distribuição atlântica e mediterrânica, pelo que esta área merece um ordenamento cuidadoso no sentido da sua protecção , como foi feita para as Arribas fósseis da Caparica.
A zona afectada pela estrada, alargamento e uso correspondente irá afectar um sistema que é afectado pela presença da Falésia natural, e pela existência de povoamentos de pinheiros. Estes dois elementos, pinhal e Falésia afectam a Dinâmica da vegetação e proporcionam um efeito paisagístico característico e de elevado valor..
Tal facto torna as comunidades vegetais muito sensíveis agravada pela passagem de pessoas e de veículos
Qualquer actuação nesta área deveria ter em conta: a legislação existente no que diz respeito à faixa costeira e especialmente à vegetação dunar; que qualquer impermeabilização provocará certamente efeitos nefastos sobre a vegetação dunar (nomeadamente através de erosão); que a introdução de outras espécies pode resultar numa alteração drástica do coberto vegetal e conduzir a uma perda de diversidade (a presença dominante em algumas comunidades de Carpobrotus edulis preconiza medidas de controlo desta infestante); que qualquer movimentação de areias pode resultar numa alteração da estrutura física do sistema dunar e consequentemente resultar num risco para a sua preservação; que o tipo de vegetação e paisagem existente não é comum, nem na região nem no país; que o aumento da pressão humana sobre a vegetação resultará numa destruição desta (actualmente este efeito já pode ser avaliado, tendo em conta a passagem de veículos todo-o-terreno - proibida por lei - e de pessoas); que foram inventariadas espécies protegidas e outras de distribuição muito reduzida.
A acção prevista, o Projecto Rodoviário da E. R. 377-2 – Costa da Caparica/ Nova Vaga /IC32, irá por em causa todas as espécies e habitats de elevada valia ali existentes.
Portanto “Numa altura em que o abastecimento alimentar é decisivo para as grandes concentrações urbanas- como é o caso da Área Metropolitana de Lisboa- urge travar por todos os meios legais esta especulação urbanística da CM de Almada e continuar a garantir a aptidão dos terrenos para alimentar a Margem Sul do Tejo” e também acabar com a destruição do pinhal dos Medos e das zonas de vegetação.

Eu assino

Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

LOST IN THE TREES por Zito Colaço

Toda a criação é feita em três actos. O psicodrama individual de potência, movimento e expansão é um espelho reluzente das leis universais da tríade cósmica. Zeus, Athena e Hera. Deus, Pai e Espírito Santo. Brahman, Vishnu e Shiva. Uma lógica poeticamente matemática expressa também nos três corpos de Buda: o espaço infinito do Dharmakaya, o campo mental de formas puras do Shambogakaya e a materialização dos elementos terra, ar, água e fogo no Nirmanakaya. E foi a lógica do três, ou do terceiro incluído, se evocarmos também a perspectiva holística e transdisciplinar, que une partícula, onda, céu, terra e ser humano e senta à mesma mesa o cientista, o poeta e o místico, que inspirou o acto de criação de Zito Colaço, dando à luz a exposição Lost in The Trees.

Para dar início à sua obra, o fotógrafo também teve de passar por três estágios de ascensão. E para que estes três níveis se harmonizem são sempre inevitáveis a morte e o renascimento. O perder-se para encontrar-se de Florbela Espanca. Porque Kaos e Ordem sustentam o jogo de sombras da existência até que a visão luminosa e unificadora do Três se manifeste em toda a sua plenitude. Por isso, não é de estranhar que o Zito tenha percorrido o seu labirinto interior, túnel de luz e treva, até que a exposição pudesse nascer com a força de todas as explosões criativas, do Big-Bang à formação de estrelas e planetas, do hominídeo ao homo sapiens, dos primitivos tambores tribais às sonatas de Mozart. Três momentos, três notas rítmicas que fizeram ecoar a melodia de Lost in The Trees. Primeiro, perdeu-se quando numa hora de intervalo em pleno exercício da sua profissão, ou seja fotografar por encomenda sob ordens diárias e rotineiras de várias redacções e produtos similares de media, a sua objectiva avariou. O olhar sobre o mundo, profissional e pessoal, do Zito acabara de desfocar-se. Desfoque que, em vez de ser um contratempo, converteu-se na possibilidade de focar a realidade a partir de um outro ponto de observação. E o novo enfoque deu-se justamente durante essa penosa mas necessária hora de sofrimento e recriação, em que o fotógrafo, para jogar ao jogo de fazer tempo até ao novo telefonema profissional, descobre Sophia de Mello Breyner e abre uma nova página no seu novo manual de focagem: "A árvore antiga/Que cantou na brisa/Tornou-se cantiga”. A história de uma árvore tão gigantesca quanto milenar que, apesar de ser cultuada e respeitada pelos habitantes de uma pequena ilha, impedia os raios de Sol de entrar na comunidade e condicionava o modo de vida dos autóctones, acabando por ser sacrificada, para que novas árvores, folhas e frutos florescessem e partissem rumo fora na madeira de um barco que se tornara sagrado. A árvore renascia em novas formas de vida. E este renascimento o Zito pressente-o quando vê pela primeira vez que o desfoque podia ser nada mais do que um outro enfoque. Um ângulo cinestésico que oferece ao Zito o seu segundo processo de focagem. A sua objectiva havia acabado de renascer. E o Zito também.
Focado numa visão mais ampla, à medida do desfoque técnico da academia, reaprendeu a olhar o essencial do mundo. A nossa passagem pelo Planeta como uma casa, uma morada, um palácio que deve ser tratado com respeito. Um palácio de árvores centenárias, bosques verdejantes e luz cristalina e dourada, que respira ao ritmo do Sol e do Mar. Mata do Medos, ou dunas, como se falava antigamente, por onde as vagas do ar e da água brincam com a terra, o elemento feminino, a contraparte do um, o dois, para chegar ao três. A esta união se chama na Tradição o Amor. E foi preciso o Zito perder o foco dos condicionamentos sócio-culturais e psicológicos bem como dos preconceitos dos juízos de cátedra e diploma na mão, mas que nunca buscam a arte, a paixão e o risco, condimentos essenciais do amor, para focar o Mundo “tal qual” ele é, o que lhe permitiu aproximar a lente da realidade “tal qual é”, expressão budista e vedantina da visão não-dual, igualmente constante da Presença crística, judaica ou islâmica, que é o nossa meta-percurso primordial, expansivo e eterno…

E esse regresso primordial ao feminino da Mãe-Terra, ao Amor de Gaia, ao fogo da paixão que germina no silêncio contemplativo, ou pelo menos numa etapa dele, o Zito aprimorou ainda mais o olhar para focar ainda melhor o essencial do mundo, etapa iniciática de sentido ascendente consubstanciada na redenção, no aconchego, no colo das árvores que ouvem, observam e falam. E neste terceiro estágio em que as árvores são árvores mas são também seres que sentem “tudo de todas as maneiras” (pedindo emprestado o sentir pessoano), o Zito contemplou o jogo terreno, o teatro da vida onde observador e observado se confundem, fotografando aqueles momentos em que as árvores são. E são simplesmente porque “entre a árvore e vê-la onde está o sonho”. E o sonho do Zito chama-se fotografar todas as florestas e bosques do Mundo. Prosseguindo no sonho mas em estado de vigília. Porque Lost in The Trees é um sonho acordado que nos convida a despertar.

Lost in The Trees by Zito Colaço 
Texto: Nuno Costa

Sexta-feira, 23 de Março de 2012

Limpar Portugal 2012 / Limpar a Mata dos Medos - Junta-te a nós!

24 de Março de 2012
Limpar Portugal / Limpar a Mata dos Medos - 7h (Trazer almoço).
Local - Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos parte integrante da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica
Ponto de Encontro - 10h no Parque de Merendas em frente à G.N.R. da Fonte da telha

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Lost in the Trees, in Mata dos Medos - Exposição de Fotografia/3ºTrabalho

LOVE TREES PROJECT NO MUNDO
O projecto LOVE TREES pretende, também, através da linguagem fotográfica re-criar o "surrealismo" de vários Bosques, Matas ou Florestas de cada região, do país e do mundo.

Fotografias Zito colaço

The Princess Eyes Of Water, in S.Mamede. Exposição de Fotografia/5ºTrabalho

LOVE TREES PROJECT NO MUNDO
O projecto LOVE TREES pretende, também, através da linguagem fotográfica re-criar o "surrealismo" de vários Bosques, Matas ou Florestas de cada região, do país e do mundo.

Fotografias Zito colaço

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Um olhar sobre a Mata Nacional dos Medos - Exposição de Fotografia/2ºTrabalho

LOVE TREES PROJECT NO MUNDO
O projecto LOVE TREES pretende, também, através da linguagem fotográfica re-criar o "surrealismo" de vários Bosques, Matas ou Florestas de cada região, do país e do mundo.

Fotografias Zito colaço

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

LoveTrees na Mata dos Medos da Arriba Fóssil da Caparica - Exposição de Fotografia Mãe/1ºTrabalho

LOVE TREES PROJECT NO MUNDO
O projecto LOVE TREES pretende, também, através da linguagem fotográfica re-criar o "surrealismo" de vários Bosques, Matas ou Florestas de cada região, do país e do mundo.

Fotografias Zito colaço 

A lenda da Costa da Caparica


Contam os antigos que havia na actual Costa da Caparica, que hoje é cidade, uma senhora que era mendiga, e que usava uma capa muito velha e que nunca a tirava… prontos ela era mendiga, vivia na rua e quem passava por ela afastava-se porque ela, prontos e o aspecto dela, prontos repugnava as pessoas. A senhora durou durante, andou durante muitos anos pela Costa da Caparica, sempre vestida de preto com aquela capa, até que, quando faleceu e tiveram que fazer os tratamentos fúnebres, encontraram a capa e a capa era riquíssima! Estava cheia de ouro, antigamente aquilo eram moedas de ouro e as moedas estavam pregadas por toda a capa. Prontos, e então a lenda conta que o nome derivou da capa rica. E foi daí que veio a história da vila. Antigamente era vila que passou a cidade que era Capa rica a actual Costa da Caparica. Era essa a lenda!

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Tales Of The Forest, in Peninha. Exposição de Fotografia/4ºTrabalho

LOVE TREES PROJECT NO MUNDO
O projecto LOVE TREES pretende, também, através da linguagem fotográfica re-criar o "surrealismo" de vários Bosques, Matas ou Florestas de cada região, do país e do mundo.

Fotografias Zito colaço

Tales Of The Forest, in Peninha - Love Trees Project by Zito Colaço

 Pirata
 Floresta
 Golfinho
 Hipo
Senhora
Imperial
 Lagarto
 Lobo
 Oscar
Homem Primitivo
 África
 Alien
 Árvore
Familia de Ursos
Baleias
Paraiso
Peixe
Serra
Urso
Textura

TALES OF THE FOREST, IN PENINHA - LOVETREESPROJECT by ZITO COLAÇO

Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

LoveTreesProject por Zito Colaço, no Cartaz das Artes/TVI.

O programa Cartaz das Artes Nº 437 (Série IX, Nº 7) com emissão esta Quinta-feira dia 16/02/2012 na TVI tem os seguintes conteúdos:

4) uma reportagem sobre a exposição LOVETREES. O projecto conta com diversas actividades que usam a arte para a sensibilização da natureza. O fotojornalista Almadense e fotógrafo de ambiente, Zito Colaço cria o projecto através de imagens captadas na mata nacional dos medos, na zona da Arriba Fóssil, da Caparica. A exposição pode ser vista no Cine Incrível em Almada até 31 Março.

(Este programa também é emitido no canal TVI24 no Sábado, 17 de Fevereiro, às 06:30; Domingo, 18 de Fevereiro, às 11:15 e Terça-feira, dia 21 de Fevereiro às 05:30)

(É só clicar no programa de 16 de Fevereiro e ver a partir do minuto 9.50. Reportagem sobre a inspiração de Zito Colaço no meio das árvores da Mata dos Medos que deu origem à exposição de fotografia e filme Love Trees com a banda sonora de Orn Spirit)

http://www.tvi.iol.pt/programa/1585